quarta-feira, 13 de junho de 2018

A MENINA NO PLANETA UTOPIA



Por SIDNEY NUNES


            A mamãe levou sua filha ao cinema para assistir um filme sobre as crianças do mundo. Sentaram-se nas cadeiras do cinema que escureceu e começou o filme. Ela falou:
            Está vendo que existem crianças diferentes umas das outras? Umas pobres, outras ricas, umas brancas, outras negras, de olhos castanhos, azuis, verdes, puxados, redondos, grandes, pequenos. Crianças com saúde, outras doentes, com incapacidades, outras perfeitas, tristes e alegres.
            - Porque, mamãe? Quis saber a menina.
            - Porque, ah! Sei lá! Porque sim.
            - Porque sim não é resposta! Deve haver um lugar onde todos são iguais.
            - Isso a gente chama de utopia filha!
            A menina fechou os olhos e ficou pensando como achar e conhecer um lugar chamado utopia.
            No dia seguinte foi ao quintal com uma ideia, desenhou uma espaçonave no chão e resolveu construir, chamou um amigo e uma amiga e contou seu plano de construir uma nave para voar no espaço e procurar um planeta onde todas as crianças fossem iguais, que sua mãe disse se chamar utopia. Era simples construir apontar o bico da nave em direção a lua e voar direto para lá, logo atrás tinha um planeta escondido. Para isso precisava descobrir quanto tempo levaria para chegar e tinha que ser em lua cheia.
            Passaram a tarde juntos, desenhando, fazendo contas, até a hora de irem para suas casas. O sono foi de muitos sonhos, ideias e imagens. No dia seguinte cada um trouxe algo para começarem a construção e falar sobre o que levar para comer, bolachas, chocolates, balas e muita água.
            - Não podemos levar doces! Numa viajem que demora a gente precisa levar muitas frutas e legumes, senão a gente pode engordar e a nave pode cair.
 Então sua amiga Gabi disse:
- Será que essa coisa de planeta utopia existe mesmo? Nunca ouvi falar nisso, e se as nuvens baterem na nave e a gente ficar presos no céu?
Pedrinho teve uma ideia:
- Vamos levar uns balões de festa e muita corda para gente se amarrar. Se a gente ficar preso, a gente enche os balões e pula para a terra.
Mariana falou:
- Gente! Nuvem é só fumaça. Vamos levar os balões, mas também vamos levar oxigênio em saquinhos para caso a gente precise respirar.
- Nossa nave já está pronta! Como eu sou o único menino eu que vou pilotar.
Gabi retrucou:
- Não! Não mesmo! Nós somos duas meninas e você é só um, nós que vamos pilotar!
Mariana assumiu o comando.
- Eu tive a ideia!
- Combinado! Concordaram os dois.
Entraram na nave apertada, colocaram os cintos de segurança e VRRUUUUUUUUUUMMMMMMMMMMMM...
Lá se foram céu acima. O planeta atrás da lua não era perto, demorava a chegar. Até que chegaram a lua finalmente. Abaixaram os colchões na traseira da nave para descer no macio. Mariana desceu tranquila e pousou.
Desceram todos na lua e ficaram maravilhados. A lua parecia um queijo todo furado. Olharam para todos os lados a procura do planeta utopia. Até que viram uma pequena estrela que brilhava e piscava muito.
Gritou Mariana:
- Olha lá! Encontrei! Precisava agora pensar em como chegar até lá. Pensaram... pensaram... pensaram muito, muito mesmo...
Gabi falou primeiro:
O Pedrinho trouxe um montão de corda. A gente desenrola ela toda, tiramos as pedras das botas que prendem a gente no chão da lua, amarramos na ponta da corda as pedras e jogamos para o planeta. Ela vai ficar esticada e a gente bem leve pode subir neta e chegar até lá.
Pedrinho respondeu:
- É! Amarramos uma outra corda em nós para ninguém se perder.
Lançaram a corda em direção ao planeta e ela se esticou todinha, as pedras foram direto e caíram no chão do planeta. Todos estavam bem leves que conseguiram irem se apoiando na corda e avançando para o planeta até se aproximarem do chão. A medida que chegavam tudo mudava de cor. Descobriram que estavam atravessando o arco - iris. Todos estavam maravilhados. Ninguém ficou com medo.
Estavam adorando a aventura. Pisaram no chão e viram o lugar mais bonito do mundo. Não conseguiam nem falar. Crianças voavam, brincavam, plantavam, eram todas amigas, se ajudavam mesmo sendo diferentes. Os bichos de lá eram todos mansinhos. Tinha até uma gata que era casada com um rato. Uma cobra que cuidava de pintinhos. Um leão que só comia legumes. Era tudo cheio de paz.
Começaram a ficar com muita fome e sede. Tentaram beber e comer, mas a água atravessava as mãos, assim como tentaram pegar frutas, doces, mas tudo se evaporava, eram só imagens, imaginação.
Cansados e com fome resolveram voltar para a nave. Estavam muito felizes com o planeta. Todos seguraram firme na corda e foram voltando devagar para a nave e partiram novamente para casa. Voltaram em um completo silêncio, pousaram, comeram sem parar e exaustos foram para suas casas dormir.
Acordaram muito cedo, pareciam flutuar de contentamento, tanto que provocavam olhares curiosos por onde passavam. Ao se encontrar desembestaram a falar sem parar.
Dizia Pedrinho;
- É um lugar de imaginação, tudo que a gente pensava acontecia.
Disse Mariana:
- Era tudo muito bonito! Não sei como explicar! Era muito colorido, alegre, tinha cama mas não dava para deitar, tinha comida mas não se podia comer, tinha casa mas não dava para entrar...
- Tudo parecia um sonho! Falou Gabi.
Respondeu Pedrinho:
- Parecia sonho, mas não foi, não é!
Passaram a contar essa aventura para todos que encontravam. Mas não acreditavam muito, porque ela só sabia dizer que era tudo muito lindo. Só restava a Mariana tentar fazer reproduzir aqui tudo que aconteceu no planeta Utopia.
Então ela deu um sorriso, relembrou toda a aventura na cabeça, e ficou com aquele rosto de mistério contente para sempre.


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